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FETAG-RS e IFSIM iniciam pesquisa sobre a juventude rural e ampliam o debate sobre o tema

A permanência da juventude no meio rural segue como um dos principais desafios para o futuro da agricultura e pecuária familiar. A saída de jovens do campo e as dificuldades para garantir sua permanência evidenciam a necessidade de compreender, com maior profundidade, as condições reais enfrentadas por esse público.

Com esse objetivo, a FETAG-RS, por meio da Comissão Estadual de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (CEJTTR), e o IFSIM iniciam uma pesquisa na região central do Rio Grande do Sul, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

A pesquisa buscará analisar os fatores que influenciam a permanência ou saída dos jovens do campo, bem como o acesso às políticas públicas e as formas de participação social e política desse público, contribuindo para identificar avanços, lacunas e limites ainda presentes no território.

O projeto foi contemplado com financiamento de R$ 200 mil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de edital realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social. A coordenação acadêmica é do professor José Marcos Froehlich, da UFSM, e a execução está prevista para ocorrer ao longo de dois anos.

Com abrangência em 34 municípios da região central do Estado, a pesquisa mobilizará professores universitários, pós-graduandos, bolsistas de graduação, cerca de 30 sindicatos de trabalhadores rurais e agricultores familiares, além das comunidades locais. Estão previstos seminários e eventos microrregionais com aproximadamente 150 jovens, além da aplicação de questionários que devem alcançar mais de mil participantes.

Entre os principais objetivos estão a análise das políticas públicas existentes, especialmente quanto ao acesso e impacto na vida dos jovens, e o mapeamento das formas de participação social e política no meio rural, identificando fatores que incentivam ou dificultam esse envolvimento.

Ao articular pesquisa e extensão, a iniciativa se insere diretamente no debate sobre a sucessão rural, tema estratégico para o desenvolvimento do campo e para a continuidade da agricultura familiar. A proposta fortalece a integração entre universidade e movimento sindical e amplia o protagonismo da juventude rural na construção de conhecimento e de soluções para o território.

Lançamento

O projeto foi lançado no dia 1º de abril, com o painel “Quem vai ficar no campo?”, reunindo representantes da UFSM, Emater, programas de extensão rural e desenvolvimento territorial, além da FETAG-RS. A programação incluiu painéis temáticos e uma oficina metodológica com a participação de pesquisadores, jovens rurais e lideranças sindicais.

A presença das regionais sindicais de Santa Maria e Quarta Colônia, que concentram a maior parte dos municípios envolvidos, reforçou o caráter territorial e participativo da iniciativa.

Para a 1ª secretária da FETAG-RS e coordenadora de Juventude Rural e Educação do Campo, Camila Rode, a pesquisa contribui para fortalecer a atuação da juventude rural organizada. “Ela tem o propósito de qualificar políticas públicas, ampliar as condições de permanência no campo e reafirmar o meio rural como espaço de vida, inovação, dignidade e futuro”, destaca.

Mais do que produzir dados, a pesquisa busca evidenciar as condições que hoje limitam ou favorecem a permanência da juventude no campo, contribuindo para que permanecer deixe de ser um desafio e passe a ser uma escolha com perspectivas concretas de futuro.