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FETAG-RS defende suspensão dos estudos da Unidade de Conservação das Missões
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) vem buscando esclarecimentos e dialogando sobre a proposta de criação de uma Unidade de Conservação Federal nas Missões, voltada à proteção dos campos missioneiros e das matas de pau-ferro. A iniciativa, conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), prevê cerca de 160 mil hectares nos municípios de Santiago, Unistalda, Bossoroca, Itacurubi e Santo Antônio das Missões.
Ao tomar conhecimento de reuniões realizadas pelo ICMBio com prefeitos da região, sem a participação da FETAG-RS e dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs), a entidade passou a cobrar diálogo com os órgãos envolvidos, com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG). Para a Federação, é inadmissível que uma proposta dessa envergadura seja debatida sem a presença das representações da agricultura e da pecuária familiar.
As reuniões realizadas posteriormente, já com a participação dos sindicatos, possibilitaram esclarecimentos sobre a proposta e seus impactos sociais, econômicos e ambientais, além de contribuir para combater a disseminação de desinformação que tem gerado insegurança nas comunidades locais.
A FETAG-RS reafirma sua trajetória de defesa da sustentabilidade da agricultura e da pecuária familiar e destaca que não é contrária à preservação ambiental. No entanto, reforça que qualquer iniciativa deve garantir a autonomia dos produtores, a permanência das famílias no campo e o respeito ao modo de vida, à cultura e aos sistemas produtivos baseados no pastejo dos campos nativos do Bioma Pampa.
Diante do cenário atual, a FETAG-RS e seus sindicatos filiados solicitam a suspensão dos estudos de criação da Unidade de Conservação dos Campos Missioneiros, por entenderem que não há, neste momento, um ambiente político e social favorável para um diálogo democrático e construtivo.
A entidade segue aberta ao diálogo sobre alternativas de preservação ambiental em equilíbrio com a produção, como já ocorre por meio do Projeto Recuperação de Biomas, desenvolvido em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA), que já implantou o manejo conservacionista em mais de 7 mil hectares de campos nativos do Bioma Pampa, aliando preservação ambiental e geração de renda.
