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NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Diante da escalada brutal da violência de gênero, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) manifesta seu mais veemente repúdio aos feminicídios que seguem ceifando vidas no Rio Grande do Sul. Somente nos dois primeiros meses de 2026, 20 mulheres foram assassinadas. Vinte vidas interrompidas. Vinte histórias silenciadas pela expressão mais cruel do machismo: o feminicídio.

Cada uma dessas mortes carrega a marca de uma estrutura social que ainda naturaliza o controle, a desigualdade e a violência contra as mulheres. A violência não tem CEP: atravessa bairros, comunidades, cidades e o campo. E, dentro dessa realidade alarmante, denunciamos com ainda mais força a invisibilidade e o abandono enfrentados pelas mulheres do meio rural.

No campo, a violência é agravada por distâncias geográficas e institucionais. Quando uma mulher decide romper o ciclo da agressão, precisa enfrentar quilômetros de estrada até a delegacia mais próxima. Muitas vezes não há transporte público; o sinal de telefone é instável; a internet é inexistente; os serviços de proteção não chegam com a urgência necessária. Em regiões remotas, não são raros os casos de cárcere privado, em que mulheres permanecem isoladas, vigiadas e impedidas de buscar ajuda. A ausência de casas de acolhimento próximas, de atendimento especializado e de políticas públicas territorializadas expõe essas mulheres a riscos ainda maiores.

Repudiamos o descaso histórico que transforma o isolamento do campo em barreira para o acesso à justiça e à proteção. Não aceitaremos que a distância entre a casa e o centro urbano se converta em sentença de morte. Não aceitaremos que a ausência do Estado continue custando vidas.

Reafirmamos que as mulheres do campo são fundamentais para a produção de alimentos, para a preservação ambiental e para a sustentabilidade das comunidades. São trabalhadoras, lideranças, agricultoras, pecuaristas e protagonistas da vida nos territórios. Não são números. Não são estatísticas. São vidas que importam.

Diante de 20 feminicídios em apenas dois meses, exigimos ações concretas, políticas públicas efetivas e compromisso real do poder público com a proteção das mulheres, tanto nas cidades quanto no interior. O silêncio não pode ser a resposta. A omissão também é violência.

Seguiremos denunciando, mobilizando e lutando para que nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência de gênero. Porque viver é um direito. Porque a vida das mulheres importa. Porque não haverá justiça social enquanto as mulheres seguirem sendo assassinadas.